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Episódio 21

Terra de ninguém

Achado não é roubado, né?

13 ABR 2023

No primeiro ato: uma história de quando o mar virou sertão, e o que ficou pra trás. Por Pâmela Queiroz.

No segundo ato: um principado efêmero a 1200 quilômetros da costa brasileira. Por Bárbara Rubira.


APRESENTAÇÃO ATO 1

Em busca de Ubirajara

No sertão do Ceará, onde a repórter Pâmela Queiroz nasceu e cresceu, tem um oásis: uma mancha verde rodeada de morros, a Chapada do Araripe. Essa mancha verde é um mapa da mina, a marca que restou de um mar pré-histórico, que quando secou, deixou para trás uma riqueza incalculável. Nos riachos e nas pedreiras da região, os moradores vivem achando “pedras de peixe”, como são chamadas: fósseis que contam um pouco da história do mar que virou sertão, e do nosso legado comum.

Em 2020, um desses fósseis –um dinossauro com penas batizado de Ubirajara jubatus–incendiou a internet quando ele foi descrito numa publicação científica e descobriu-se logo depois que teria sido retirado de forma irregular do Brasil. A quem pertence o patrimônio científico? E o que os fósseis conseguem nos dizer sobre a gente?

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Exposição de fósseis no Museu de Paleontologia Plácido
Cidade Nuvens, em Santana do Cariri - Ce

Exposição de fósseis no Museu de Paleontologia Plácido
Cidade Nuvens, em Santana do Cariri – Ce© Pâmela Queiroz

Exposição de fósseis no Museu de Paleontologia Plácido
Cidade Nuvens, em Santana do Cariri - Ce

Exposição de fósseis no Museu de Paleontologia Plácido
Cidade Nuvens, em Santana do Cariri – Ce© Pâmela Queiroz

Exposição de fósseis no Museu de Paleontologia Plácido
Cidade Nuvens, em Santana do Cariri - Ce

Exposição de fósseis no Museu de Paleontologia Plácido
Cidade Nuvens, em Santana do Cariri – Ce© Pâmela Queiroz

Exposição de fósseis no Museu de Paleontologia Plácido
Cidade Nuvens, em Santana do Cariri - Ce

Exposição de fósseis no Museu de Paleontologia Plácido
Cidade Nuvens, em Santana do Cariri – Ce© Pâmela Queiroz

Exposição de fósseis no Museu de Paleontologia Plácido
Cidade Nuvens, em Santana do Cariri - Ce

Exposição de fósseis no Museu de Paleontologia Plácido
Cidade Nuvens, em Santana do Cariri – Ce© Pâmela Queiroz

Fósseis encontrados na pedreira em Santana do Cariri - Ce

Fósseis encontrados na pedreira em Santana do Cariri – Ce© Pâmela Queiroz

Fósseis encontrados na pedreira em Santana do Cariri - Ce

Fósseis encontrados na pedreira em Santana do Cariri – Ce© Pâmela Queiroz

Fóssil Ubirajara, encontrado no Sertão do Ceará.

Fóssil Ubirajara, encontrado no Sertão do Ceará. © Reprodução Instagram Naturkundemuseum Karlsruhe

Fóssil Ubirajara, encontrado no Sertão do Ceará.

Fóssil Ubirajara, encontrado no Sertão do Ceará. © Reprodução Instagram Naturkundemuseum Karlsruhe


APRESENTAÇÃO ATO 2

O príncipe

No Atlântico Sul, a cerca de 1200 quilômetros da costa do Espírito Santo, fica a Ilha da Trindade, uma ilha de terreno montanhoso que é habitat de samambaias, aves e caranguejos. “Descoberta” numa missão em 1501, a ilha foi tomada pelos portugueses, que nunca chegaram a colonizá-la de fato. Com a independência do Brasil, a ilha virou oficialmente território brasileiro. Até que em 1893, James Harden-Hickey, um cidadão americano radicado na França, se deparou com a ilha inabitada numa viagem pelo Atlântico e decidiu tomá-la para si. Estava ali fundado o Principado da Trindade.

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Bandeira do Principado da Trindade imaginada a partir de descrições de James Harden-Hickey

Bandeira do Principado da Trindade imaginada a partir de descrições de James Harden-Hickey© Wikicommons

Brazão do Principado da Trindade

Brazão do Principado da Trindade© Reprodução Kingsley Collection

Ilha da Trindade, a 1.200 quilômetros do litoral do Espírito Santo

Ilha da Trindade, a 1.200 quilômetros do litoral do Espírito Santo© Marinha do Brasil

REFERÊNCIAS DESTE EPISÓDIO

“Ilha da Trindade: a ocupação britânica e o reconhecimento da soberania brasileira (1895-1896)”, de Martin Normann Kämpf

Cabras arrasaram com espécie nativa da ilha de Trindade, reportagem na Folha de S. Paulo (2016)

PRINCIPALITY OF TRINIDAD; John H. Flagler’a Son-in-Law Is Its Sovereign, Self-Proclaimed as James I, reportagem no The New York TImes (1894)

Principado da Trindade; sua alteza sereníssima James I, documento publicado no Jornal do Brasil (1895)

“Real Soldiers of Fortune”, livro de Richard Harding Davis (1906)

Digging Deeper into Colonial Palaeontological Practices in Modern-Day Mexico and Brazil (2020), paper de Juan Cisneros, Aline Ghilardi et al

“‘Paleopirataria’ faz estrangeiros dominarem trabalhos sobre fósseis brasileiros, diz artigo”, Giuliana Mirana, Folha de S. Paulo (2022)

“No rastro dos fósseis contrabandeados”, Rodrigo de Oliveira Andrade, Revista FAPESP (2021)

créditos do episódio
Apresentação Branca Vianna
Reportagem Bárbara Rubira e Pâmela Queiroz
Direção criativa Paula Scarpin e Flora Thomson-DeVeaux
Direção executiva Guilherme Alpendre
Gerente de criação Tiago Rogero
Gerente executiva Marcela Casaca
Gerente de produto e audiência Juliana Jaeger
Produtores sênior Vitor Hugo Brandalise, Évelin Argenta e Bia Guimarães
Produtoras Bárbara Rubira, Gabriela Varella, Júlia Matos e Natália Silva
Montagem Paula Scarpin
Desenho de som Paula Scarpin e Tiago Rogero
Música original: Vitor Rodrigues Dias
Música adicional: Blue Dot
Mixagem Pipoca Sound
Desenvolvimento de produto e audiência Bia Ribeiro e FêCris Vasconcellos
Conteúdo e engajamento de redes sociais Eduardo Wolff
Designer Mateus Coutinho
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